É muito comum a criança avisar aos pais que está com vontade de fazer xixi apenas quando a bexiga já está muito cheia. Mas por que isso acontece?
Após o desfralde, as crianças ganham a habilidade de controlar voluntariamente o funcionamento da bexiga e, com isso, passam a decidir o melhor momento para urinar. Sabemos que, na maior parte das vezes, essa escolha está inserida no contexto social do “posso ou não posso fazer xixi aqui e agora”. Porém, muitas crianças usam essa habilidade para postergar a micção por interesses próprios.
O que quero dizer com isso? Que muitas crianças optam por segurar o xixi para não perder a brincadeira, o jogo, o videogame ou o programa de televisão favorito. Sim! Elas “prendem” o xixi para continuar se divertindo.
Essas crianças costumam fazer manobras para enganar o cérebro e ganhar mais tempo antes de ir ao banheiro. Chamamos essas estratégias de “manobras de postergação”, como cruzar as pernas, sentar de cócoras, manipular a genitália (especialmente os meninos), andar ou pular na ponta dos pés.
Se você perceber que seu filho ou filha está fazendo esses movimentos ou que já se passaram mais de 3 horas desde a última ida ao banheiro — para tudo e leve a criança ao banheiro.
A primeira resposta que os pais costumam ouvir é: “Não quero, mãe”, ou “Não estou com vontade”. Mas, mesmo assim, insista. Essa insistência é um cuidado importante com a saúde urológica do seu filho.
Prender o xixi por muito tempo pode alterar o funcionamento do músculo da bexiga e aumentar o risco de infecção urinária. Caso perceba esse tipo de comportamento com frequência, vale a pena marcar uma consulta para que possamos orientar a família e acompanhar essa jornada com mais segurança.
Um lembrete importante sobre o desfralde:
Você é do time que acredita que é a família quem desfralda a criança? Ou do time que acredita que é a criança quem determina o tempo?
Então para um minutinho — esse texto é para você!
Ao longo dos últimos anos, tenho orientado muitas famílias durante o processo de desfralde, e uma coisa é certa: o desfralde é da criança. É o tempo dela que deve ser respeitado.
Acompanhar com paciência, sem pressa e com o olhar atento ao comportamento é o que garante um processo saudável, sem traumas e com mais autonomia para os pequenos.