Estou eu, sentada no banco do parquinho de areia, quando meu filho mais velho grita, do meio do escorregador: “Mamãe, quero fazer cocô!”. Alguns pais, ou seja, adultos, me olham com desconforto, como se meu filho tivesse dito algum palavrão.
Na mesma hora, me veio uma dúvida… quando foi que começamos a achar que fazer cocô era algo errado, sujo, feio ou até mesmo impróprio?
Pois é.
Hoje, quero conversar com você sobre algo que parece simples, até engraçado, mas que é mais sério do que parece: cocô preso.
Em algum momento da nossa história, começamos a achar normal o fato de “segurar” o cocô até chegar em casa. Mas você não imagina o impacto que isso pode ter na saúde urológica.
A gente não imagina que uma criança que evita o banheiro, por medo, vergonha ou desconforto, começa a travar o intestino. E, com o intestino travado, a bexiga começa a sofrer também.
É que intestino e bexiga conversam. Quando o reto está cheio de fezes, ele empurra a bexiga. E aí começamos a ter um festival de escapes de xixi, infecções urinárias e inseguranças.
Tem criança que começa a segurar o cocô porque doeu uma vez. Outras, porque não gostam do banheiro da escola. E tem aquelas que simplesmente não querem parar de brincar. Tudo isso pode se transformar em alterações do funcionamento da bexiga e do intestino.
Então, observe. Se seu filho passa dias sem evacuar, sente dor, segura o cocô ou começa a ter escapes de urina, não pense só no xixi. Olhe para o intestino também.
Tá, mas o que eu preciso fazer? Ofereça água, crie uma rotina para ir ao banheiro, tanto para xixi quanto para o cocô, e inclua alimentos ricos em fibras. Mas, acima de tudo, ensine que banheiro não é incomodo e que todo mundo precisa utilizá-lo.