Consultório de segunda feira. Meio da manhã.
A mãe entra, senta na cadeira e vai direto ao ponto: “Doutora, eu queria saber se ele tem fimose.”
Olho para o menino. Ele olha pra mim. Sorrio. E, depois de acolher a demanda, começo a perguntar:
“Que horas ele janta?”
“O que ele gosta de comer?”
“Ele faz cocô todos os dias?”
“Costuma segurar o xixi?”
“Que horas dorme? Que horas acorda?”
A mãe me olha com uma expressão clássica. Aquela mistura de dúvida com um leve julgamento silencioso: “Mas… o que isso tem a ver com a consulta?”
E eu entendo essa reação. De verdade.
Porque, à primeira vista, parece que estou fugindo do tema.
Ela veio falar de fimose… e eu estou perguntando sobre chocolate, sono e cocô.
Mas deixa eu te contar uma coisa importante: quando eu atendo uma criança, eu não olho só o sintoma… eu olho ela por inteiro porque a “foto” vai ser diferente do “filme”.
Quando eu começo a explorar rotina, hábitos, alimentação, sono, comportamento…tudo se conecta e passa a fazer sentido. E é nessa conversa que eu sei que:
A criança que ronca … pode fazer xixi na cama
A que tem intestino preso… tem mais risco de infecção urinária.
A que consome muito chocolate …tem alterações no padrão do xixi
Durante a consulta, passo por vários pontos de contato e, aos poucos, a família começa a perceber que aquela “queixa simples” , na verdade, faz parte de algo maior.
Então… quando levar ao urologista pediátrico?
Essa é a pergunta que sempre vem.
E, geralmente, as pessoas esperam uma resposta objetiva, tipo: “Quando tiver dor.” “Quando tiver infecção.” “Quando algo estiver errado.”
Mas eu vou te dar uma resposta diferente: desde sempre