Era uma quinta-feira, fim de tarde, e eu esperava Henrique na saída da escola quando uma mãe me puxou pelo braço — Rhaiana, posso te perguntar uma coisa?
Eu já sabia. Quando a mãe pede para falar baixinho, o assunto quase sempre é xixi, cocô ou pênis.— O pediatra falou que meu filho talvez precise operar de fimose. Operar, Rhaiana! Ele tem cinco anos!
“Mas todo mundo diz que fimose passa sozinha”
Passa mesmo, na maioria das vezes. Quase todo menino nasce com a pele grudadinha na cabeça do pênis, e isso é normal. Com o tempo ela vai soltando sozinha. Por isso a gente não força, não puxa, não “ajuda”. Forçar machuca e pode piorar.
Então por que operar?
Porque às vezes a pele não solta. Ela fica apertada, a criança tem inflamações repetidas, infecção urinária, dor ou vermelhidão. Aí deixa de ser uma fase e vira um problema. Nesses casos, e só depois de uma boa avaliação, a cirurgia pode ser a melhor saída.
Ela me olhou meio desconfiada. Mas tem que ser cirurgia? Não tem outro jeito?
Em muitos casos tem, sim. Existem tratamentos que a gente tenta antes, e a decisão depende de cada caso. Por isso o exame de um urologista pediátrico é tão importante. Ele vai dizer se o seu filho realmente precisa.
O medo que ninguém fala em voz alta e o que eu quero que você leve daqui
Fimose na infância é normal, e nem toda criança precisa operar. Mas, se o seu filho tem dor, inflamações repetidas, infecção urinária ou uma pele que não evolui, vale buscar um urologista pediátrico para avaliar o caso com calma. E, se a cirurgia for mesmo o caminho, saiba que ela é segura e que você não vai passar por isso sozinha.
Este texto é só informativo e não substitui uma consulta. Cada menino tem o seu tempo e a sua história.
Se você também está com essa dúvida martelando na cabeça, me conta nos comentários (@drarhaianagondim) ou agenda uma conversa comigo. E, se quiser entender até que idade a fimose é normal, tem outro texto aqui no blog esperando por você.