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Como falar sobre sexualidade com meu filho?

Quinta feira, final de tarde, último paciente do consultório. Meninos de 12 anos de idade e uma queixa não tão habitual para essa idade. A mãe, sem rodeios, me solta, “Dra, ele tá com dor nos testículos [que, diga-se de passagem, eu já havia operado] porque está de namoradinha na escola e parece que o clima anda esquentando”.

Apesar de eu lidar diariamente com desenvolvimento infantil e adolescente, confesso: aquilo me pegou de surpresa. Mas, em segundos, veio um segundo pensamento — mais importante que o primeiro: que privilégio aquele menino tinha.

Perceber que nossos filhos estão crescendo não é fácil… e muita gente prefere nem perceber, mas é inevitável. O corpo muda, o interesse muda, a visão do mundo muda. E, junto com tudo isso, surge um território novo: o da sexualidade.

A questão é que a gente se prepara muito para cuidar de um bebê… Mas quase ninguém ensina como cuidar de um adolescente.

Nem toda mãe tem o “luxo” de se preparar e muitas descobrem que esse momento chegou com uma pergunta por vezes constrangedora durante um almoço de família ou na fila do caixa do supermercado.

E é justamente por isso que estamos aqui, para começar a te preparar porque essa é a conversa que todo mundo evita… mas ninguém deveria.

Vou direto ao ponto. Seu filho vai aprender sobre sexo.

A questão não é se. É com quem.

Amigos. Internet. Redes sociais. Vídeos. Piadas. Experiências mal explicadas.

Agora me diga: Você quer participar dessa construção… ou deixar que o mundo faça isso sozinho?

Porque quando você se faz presente, algo muda. É vínculo e vínculo gera segurança.

Aqui temos um erro comum. As mães esperam o momento perfeito. Aquele dia calmo, sem pressa, sem celular, só vocês, sem distrações, mas sinto dizer… esse dia (quase) nunca chega e se eu, como urologista pediátrica, puder te dar um conselho:

ESSA CONVERSA NÃO É UM EVENTO… ELA É UM PROCESSO!

Ok, mas como vamos estruturar isso? Não é para transformar a conversa em um interrogatório. Seu filho precisa de espaço para falar, para perguntar e os pais precisam sentir “onde ele está”.. para nem avançar demais e nem chegar atrasado na conversa.

“Você já ouviu falar sobre isso?”
“O que você acha?”
“Como isso aparece entre seus amigos?”

Perguntas abrem portas.

E aqui vem um ponto extremamente importante dessa conversa! Você não precisa saber todas as respostas, mas precisa ser honesta e falar “não sei, filho(a)”, pois isso demonstra que vocês poderão descobrir coisas juntos saindo de um papel de autoridade para uma presença confiável.

Se tem algo que eu aprendi no consultório é que não são as conversas perfeitas que constroem relações fortes são as conversas possíveis.