Com certa frequência eu recebo famílias no consultório para avaliar se o pênis está crescendo… se desenvolvendo da maneira adequada e isso me trouxe alguns questionamentos ao longo dos últimos meses.
Essa família trouxe o seu filho para uma avaliação, até então de rotina (apesar do foco ser o pênis) e isso não acontecia antes com tanta frequência, então já consigo considerar isso louvável, pois muitos homens só experimentam uma consulta com urologista aos 40 – 50 anos para rotina da próstata. E, com esse movimento de avaliar o crescimento genital, as famílias estão procurando o urologista pediátrico com maior frequência e nos dando a possibilidade de explicar para essa família e obviamente para esse menino que o cuidado tem que ser feito ao longo de toda vida.
Porém tenho notado uma “ fixação” recorrente no aspecto estético da genitália infantil e isso me causa extrema preocupação.
Sabemos que hoje temos alguns colegas fazendo um desserviço e apavorando as famílias nas redes sociais falando que é preciso usar hormônio, que o seu filho tem micropênis e acaba “ensinando” para família o jeito (incorreto) de medir a genitália.
É preciso explicar para as famílias que existe uma técnica correta para realizar a medida peniana, que tem um período certo para desenvolvimento gonadal e que temos épocas específicas de maior maturidade gonadal (isso vale tanto para meninos quanto para meninas) e que o hormônio tem suas indicações muito precisas.
Quando o paciente faz uso da testosterona é preciso alinhar com a família ao risco cardiológico, o risco de infertilidade e o risco mais baixo do que seu potencial de crescimento.
Ahhh mas não poderia acabar esse texto antes de falar sobre sobrepeso/obesidade. Hoje vivemos um momento em que ter sobrepeso/obesidade é uma questão apenas estética e não de saúde, mas fica aqui meu alerta que muitos meninos podem ter o aspecto visual menor pelo fato do pênis estar embutido na gordura.
O pênis do seu filho (e o medo que não faz sentido)
A mãe entra primeiro e pede para conversar comigo a sós. O pai vem logo atrás, segurando o filho de uns sete anos pela mão. Todos um pouco constrangidos. A consulta era de rotina, segundo disseram. Mas o olhar ansioso denunciava que não era bem assim.
O motivo? O tamanho do pênis da criança.
Esse tipo de atendimento tem se tornado comum nos últimos meses. E, apesar de parecer inusitado, eu considero louvável. Porque, até pouco tempo, muitos homens só se consultavam com um urologista aos 40, 50 anos, geralmente por conta da próstata. Hoje, ver famílias preocupadas com a saúde genital dos filhos desde cedo é sinal de que, sim, estamos evoluindo.
Mas há algo que vem me incomodando profundamente.
É o excesso de foco no aspecto estético da genitália infantil. E mais: o medo. Medo plantado por vídeos alarmistas nas redes sociais. Medo de um “micropênis” diagnosticado sem critério. Medo que leva pais a procurarem soluções hormonais que, muitas vezes, não são apenas desnecessárias, são perigosas.
É preciso dizer com todas as letras: há uma técnica correta para medir o pênis.Não se mede como se mede um pé, nem se compara com o filho do vizinho. O desenvolvimento gonadal tem suas fases. Existem períodos específicos de aceleração, tanto para meninos quanto para meninas. O uso de testosterona, quando indicado, precisa ser feito com muito critério. Ele pode afetar o coração, comprometer a fertilidade e até atrapalhar o potencial de crescimento do menino.
Mas há outro ponto, ainda mais negligenciado.
O sobrepeso.
Sim, o excesso de gordura abdominal pode dar a falsa impressão de que o pênis é pequeno, quando, na verdade, ele está apenas encoberto. Hoje, muitos pais enxergam a obesidade apenas como uma questão estética. E não é. É saúde. E, nesse caso, interfere diretamente na percepção (e autoestima) da criança.
Então, antes de se preocupar com hormônios, medidas ou diagnósticos apressados, eu deixo um convite: Olhe para o seu filho com tranquilidade.
Cuide da alimentação dele, incentive a atividade física, garanta consultas regulares com um profissional sério. E, acima de tudo, proteja-o do medo desnecessário. Porque, sim, cuidar é necessário, mas assustar, jamais.