Não é raro que mães cheguem ao consultório com os olhos assustados, o coração apertado e a certeza de que falharam em alguma coisa.
Muitas vezes, elas já entram dizendo:
“Dra., eu não sabia que precisava olhar os ovinhos dele.”
E, nesse momento, minha primeira missão é fazer essa mãe entender uma coisa muito importante:
Não, você não precisa conhecer profundamente a anatomia do seu filho.
Nunca foi sua obrigação saber se os testículos estão adequadamente posicionados na bolsa escrotal. Essa é uma responsabilidade dos profissionais de saúde que acompanham o desenvolvimento do seu filho.
Então, se você chegou até aqui, respire fundo.
Está tudo bem.
Agora eu vou te explicar, de forma simples, o que realmente vale a pena observar no dia a dia.
Vamos começar pelo mais importante
Durante o banho ou na troca de fraldas, observe se existe um volume na região da bolsa testicular — os famosos “ovinhos”.
Se, com o passar dos dias, você perceber que essa região parece estar constantemente mais vazia ou murcha, converse com o pediatra que acompanha seu filho.
E a fimose?
Outro ponto que costuma gerar muitas dúvidas é a pele que recobre o pênis, conhecida como fimose.
Respire novamente: a maioria dos meninos apresenta fimose fisiológica nos primeiros anos de vida.
Isso significa que não há necessidade de forçar a pele, puxar com intensidade ou tentar abrir algo que ainda não está pronto para se abrir.
Em muitos casos, essa condição pode permanecer até por volta dos 3 anos de idade e isso é completamente normal.
Então, quais são os sinais de alerta?
Existem algumas situações que merecem avaliação médica:
- Vermelhidão na região do pênis
Pode estar relacionada a balanite, balanopostite, irritação local ou até mesmo reações alérgicas. - Dor intensa e súbita na região dos testículos
Aqui a atenção deve ser máxima. É importante diferenciar um processo inflamatório de uma possível torção testicular, que exige avaliação urgente. - Dor para urinar associada à febre
Pode indicar uma infecção urinária e necessita de investigação adequada.
Para terminar…
Você é muito mais capaz do que imagina.
Seu filho não precisa de uma mãe que saiba tudo. Ele precisa de uma mãe atenta, presente e disposta a buscar ajuda quando necessário.
E é exatamente para isso que estamos aqui: para caminhar com você, esclarecer dúvidas e tornar essa jornada mais leve.